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As trajetórias de Tim Behrens e Célio, que se cruzaram em Paris

Nos anos 1950, Célio e o artista ficaram amigos, antes de cada um consolidar sua carreira

Esta é uma daquelas histórias que merecem ser contadas.

Quando estudava na Sorbonne, nos anos 1950, Célio conheceu um rapaz, do qual ficou amigo e que acabou acolhendo em seu pequeno apartamento. Era um jovem que estava tentando se firmar na carreira artística como pintor.

Seu nome era Timothy John Behrens, e ele nascera no Reino Unido em 1937, em uma família tradicional e muito sólida financeiramente. Estudou na Slade School of Fine Arts, do University College, em Londres.

Mas Tim, como ficou conhecido, não contou com nenhum suporte do pai, Michael Behrens, um grande financista e coproprietário do Ionian Bank, que não aceitava sua opção pelas artes. Ainda rapaz, partiu para o exterior. Na segunda metade dos anos 1950, estava em Paris e sem um local fixo para morar.

Foi quando o destino fez com que as trajetórias dos dois jovens – decididos a traçar por conta própria suas histórias – se cruzassem. Célio ficou amigo de Tim e o convidou para passar uma temporada morando com ele, até que as coisas se arranjassem melhor para o artista.

Como prova de sua gratidão, Tim pintou esse quadro de Célio, que registra um momento em que ele está sentado cortando as unhas da mão.

Ainda como agradecimento (*), Tim deixou com Célio o endereço de seus pais em Londres, dizendo que ele poderia ficar hospedado lá, caso precisasse. Um tempo depois, chegando a Londres, Célio resolveu aceitar a retribuição.

Ao chegar à imponente casa dos Behrens, foi recebido por um mordomo e se apresentou, referindo-se ao convite de Tim. O funcionário pediu um tempo, voltou, o recebeu e indicou uma acomodação na parte de baixo da residência.

Na manhã seguinte, o mordomo anunciou que ele seria recebido por sir Michael para o café da manhã. Sentados distantes, em uma longa mesa, cada um em uma das cabeceiras, eles tomaram café juntos e pouco conversaram. E muito menos falaram de Tim.

Ao final, Célio agradeceu a hospedagem e seguiu seu destino.

Anos mais tarde, o pintor – e já também escritor – tornou-se conhecido e foi consagrado como um dos artistas modernistas da vanguarda da Europa. Faleceu em 2017.

Teve um filho, Charles, que seguiu o caminho do pai e se tornou produtor de vídeos…

(*) De acordo com o relato de Dário de Moura, filósofo, que se tornou amigo de Célio e o acompanhou em diversas atividades por muitos anos.

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